Brincando de se tornar Adulto

Desde o momento em que somos inseridos no mundo, pegamos emprestado traços de nossos cuidadores. Isso porque, para dizer que Eu sou Eu, há um movimento de se apropriar dos traços que originariamente são dos outros. ⁣

Porém, em determinado momento somos demandados a agir “como um adulto”, construir um próprio jeito de estar no mundo - mesmo sem sabermos o que significa “ser adulto”. ⁣

Se tornar adulto então, se demonstra como imitar ser adulto, até conseguir performar e construir a própria forma de “ser adulto”. - sempre atravessada pela forma como vejo esse Outro. Tomemos o caso de John Lennon: fã de Elvis Presley, o cantor dizia que imitava seu ídolo em tudo, roupa, cabelo, estética, ginga, sotaque, voz, e no jeito que tocava violão. Na sua Autobiografia ele enfatiza: “Imitei tanto Elvis Presley que me transformei em John Lennon”. O que nos leva a pensar: será que esse não é o processo que fazemos na transição para “crescer”, imitando nossos exemplos até formamos quem somos? Em qual momento estaremos “prontos”?⁣

Pensar dessa forma, pode nos levar a crer que “crescer” é abdicar de sermos crianças. Engraçado que, por diversas vezes, até esquecemos que nada mais somos do que crianças crescidas. Existe algo nessa transição, que nos leva a acreditar que precisamos negar tudo que se assemelha à inocência de uma criança, porque apontaria para uma imaturidade. Esquecemos que, no fim das contas, estamos brincando de nos tornarmos adultos - em conjunto com outros.